Regeneração dentária

Regeneração dentária

Terceiro conjunto de dentes: cientistas avançam em tratamento que pode fazer dentes nascerem novamente

Pesquisa japonesa testa medicamento que pode estimular o crescimento de novos dentes; estudos chineses também avançam na regeneração dentária

Imagine perder um dente e, em vez de colocar um implante ou uma prótese, receber um tratamento capaz de estimular o próprio organismo a produzir um novo dente.

Essa possibilidade, que durante muito tempo pareceu pertencer apenas à ficção científica, está sendo investigada por pesquisadores.

O avanço mais próximo de uma aplicação clínica vem do Japão, onde cientistas desenvolveram um medicamento experimental que busca estimular o crescimento natural de dentes. Ao mesmo tempo, pesquisadores de diferentes países, incluindo a China, estudam células-tronco e outros mecanismos relacionados à regeneração dos tecidos dentários.

Afinal, existe um “terceiro conjunto” de dentes?

Normalmente, os seres humanos desenvolvem duas dentições durante a vida: os dentes de leite e os dentes permanentes.

A ciência, porém, descobriu que os mecanismos biológicos envolvidos na formação dos dentes são mais complexos do que se imaginava. Pesquisas indicam que determinados sinais moleculares podem ser manipulados para estimular o desenvolvimento de estruturas dentárias que normalmente não chegam a se formar.

É daí que surgiu a ideia popularmente chamada de “terceira dentição”.

É importante, entretanto, fazer uma distinção: não significa que os seres humanos já tenham comprovadamente um terceiro conjunto completo de dentes pronto para nascer. O que os pesquisadores estão tentando descobrir é como reativar mecanismos capazes de gerar novos dentes.

O que está sendo testado no Japão?

O tratamento japonês envolve o TRG035, um medicamento experimental desenvolvido para bloquear a ação de uma proteína chamada USAG-1.

Essa proteína participa da regulação do desenvolvimento dos dentes. Ao bloquear sua atividade, os pesquisadores acreditam que pode ser possível liberar sinais biológicos capazes de estimular a formação de novos dentes.

A estratégia não consiste simplesmente em implantar um dente artificial. A proposta é tentar fazer com que o próprio organismo desenvolva uma nova estrutura dentária.

O tratamento já está sendo testado em humanos?

Sim. O Japão iniciou uma nova etapa de testes, inicialmente voltada a pessoas com ausência congênita de vários dentes. O objetivo é avaliar se a estratégia realmente consegue estimular o crescimento dentário em humanos — algo que ainda precisa ser comprovado.

Isso representa um avanço significativo, mas não significa que o tratamento já esteja disponível em clínicas odontológicas.

O que aconteceu nos testes anteriores?

Antes de chegar aos testes em humanos, a estratégia envolvendo o bloqueio da USAG-1 apresentou resultados promissores em modelos animais.

Estudos científicos demonstraram que a inativação dessa proteína pode favorecer o desenvolvimento dentário em animais que apresentam alterações na formação dos dentes.

Esses resultados ajudaram os pesquisadores a desenvolver uma abordagem que posteriormente passou a ser investigada em seres humanos.

Agora, a grande questão é saber se o mesmo mecanismo poderá funcionar de maneira segura e previsível em pessoas.

E a China? Também existe uma pesquisa importante

Sim. Pesquisadores chineses também trabalham há anos com regeneração dentária e células-tronco odontogênicas.

Essas células são estudadas por seu potencial de participar da regeneração de tecidos dos dentes e de estruturas ao redor deles. Uma revisão científica publicada no National Center for Biotechnology Information destaca justamente o potencial das células-tronco dentárias para reparar tecidos e, no futuro, contribuir para a geração de novos dentes.

Além disso, pesquisas recentes na área de medicina regenerativa odontológica vêm investigando o uso de células derivadas da polpa dentária para ajudar na regeneração dos tecidos periodontais.

Por isso, notícias sobre pesquisas chinesas e japonesas acabam sendo frequentemente reunidas nas redes sociais sob o título de “terceiro conjunto de dentes”.

Mas são pesquisas diferentes.

Então os chineses descobriram o terceiro conjunto de dentes?

Não é correto afirmar isso dessa maneira.

A China possui pesquisas importantes sobre regeneração dentária, células-tronco e bioengenharia de tecidos. Porém, o tratamento experimental mais avançado e que ganhou destaque por tentar estimular o crescimento de novos dentes em humanos é o desenvolvido no Japão.

O próprio programa japonês ainda está em fase de pesquisa clínica.

Portanto, dizer que “os chineses já fizeram nascer uma terceira dentição em humanos” seria exagerar o que a ciência conseguiu até agora.

Quem poderia se beneficiar primeiro?

Os primeiros estudos estão concentrados principalmente em pessoas que nasceram sem determinados dentes.

Isso é importante porque a ausência congênita de dentes oferece aos pesquisadores uma situação mais específica para testar se o medicamento consegue estimular o desenvolvimento dentário.

Segundo informações divulgadas em 2026, a pesquisa avançou para estudos envolvendo pessoas com hipodontia ou oligodontia, condições caracterizadas pela ausência de vários dentes permanentes.

Somente depois de comprovada a segurança e a eficácia é que a tecnologia poderá ser avaliada para situações muito mais comuns, como a perda de dentes causada por cáries, doenças periodontais, acidentes ou envelhecimento.

Isso pode acabar com implantes e dentaduras?

Ainda é cedo para dizer.

Implantes, próteses e outras técnicas continuam sendo os tratamentos disponíveis para a substituição de dentes perdidos.

Um medicamento capaz de estimular o crescimento de dentes naturais poderia representar uma mudança gigantesca na odontologia, mas ainda existem muitas perguntas a serem respondidas.

Os pesquisadores precisam descobrir, por exemplo:

  • Quantos dentes podem ser formados?
  • O novo dente terá tamanho e formato adequados?
  • Ele ficará na posição correta?
  • O tecido terá a mesma resistência de um dente natural?
  • O tratamento funcionará em adultos que perderam dentes?
  • Quais serão os efeitos colaterais a longo prazo?

Essas respostas só poderão surgir com a conclusão dos estudos clínicos.

Quando poderemos ter novos dentes naturalmente?

Existe expectativa de que, se os estudos forem bem-sucedidos, tratamentos desse tipo possam chegar ao mercado no futuro. Mas não há garantia de que isso acontecerá nem uma data definitiva para disponibilização ao público.

O desenvolvimento de um medicamento exige várias etapas de testes de segurança e eficácia antes de uma eventual aprovação pelas autoridades reguladoras.

Por isso, qualquer anúncio dizendo que “qualquer pessoa poderá fazer nascer dentes novos em breve” deve ser recebido com cautela.

Uma nova era para a odontologia?

Apesar das incertezas, a pesquisa representa uma mudança interessante na maneira como a ciência encara a perda dentária.

Durante décadas, a odontologia concentrou-se principalmente em substituir dentes perdidos.

Agora, a medicina regenerativa tenta responder a uma pergunta muito diferente:

E se fosse possível fazer o próprio corpo produzir um novo dente?

Ainda não temos essa resposta definitiva.

Mas pesquisadores japoneses já estão testando essa possibilidade em humanos, enquanto cientistas de outros países, incluindo a China, continuam investigando células-tronco e mecanismos de regeneração dentária.

O “terceiro conjunto de dentes” ainda não chegou aos consultórios.

Mas a ciência já começou a testar se ele pode deixar de ser apenas uma possibilidade biológica e se transformar, algum dia, em uma opção real de tratamento.

Fontes

  • Toregem BioPharma — tecnologia de regeneração dentária
  • Toregem BioPharma — desenvolvimento do tratamento
  • Dentistry.co.uk — avanço dos testes do TRG035 em 2026
  • PubMed/NCBI — revisão sobre células-tronco dentárias e regeneração
  • NCBI/PMC — pesquisa sobre USAG-1 e regeneração dentária
  • Nature — estudo clínico envolvendo células da polpa dentária
  • ViralMais — conteúdo interessante sem complexidade